Por: Pedro Luigi (OjuaraTactical)
O fiel retrátil possui uma trajetória histórica que remonta ao século XV, surgindo com os soldados franceses como um cordão simples destinado a prender pequenos objetos, como facas e apitos. No entanto, foi no século XIX que sua utilidade se expandiu para o armamento, tornando-se um item indispensável para a cavalaria. Naquela época, o acessório evitava que revólveres e pistolas fossem perdidos em combate, garantindo que o combatente, mesmo se ferido ou sofrendo uma queda do cavalo, mantivesse seu equipamento principal ao alcance.
Entre as décadas de 1970 e 1990, o equipamento evoluiu para o modelo retrátil, integrando mecanismos de mola e materiais de alta resistência. Com a crescente mecanização das tropas, essa inovação foi rapidamente adaptada para o policiamento com motocicletas e unidades aerotransportadas. Como os coldres da época (do século XIX ao início do XXI) eram predominantemente feitos de couro e careciam de sistemas de retenção eficientes, o fiel supria essa lacuna técnica, impedindo a perda do armamento durante patrulhamentos e ocorrências que exigissem alta velocidade ou envolvessem forte trepidação.
Atualmente, embora o fiel retrátil ainda seja amplamente utilizado por diversos operadores de segurança pública em seus cintos de guarnição e coletes táticos, sua necessidade é alvo de debate. A modernização dos equipamentos trouxe coldres de cintura (nos padrões High, Mid e Low Ride) fabricados em polímeros e Kydex, materiais de alta durabilidade que permitem até quatro níveis de retenção. Além disso, o uso do fiel apresenta desvantagens táticas, como o risco de enrosco em vegetação ou veículos, a tensão constante do cabo que pode interferir na precisão do disparo e a possível obstrução durante processos de recarga rápida.
Sobre o fiel espiral ele funciona como um cabo em formato de mola (tipo fio de telefone antigo), que estica quando necessário e retorna ao formato original. Ele tem o mesmo princípio do fiel retrátil, por ser espiralado, permite certa extensão sem ficar constantemente tensionado como um fiel rígido. A pior desvantagem dele é o risco de enrosco, por ser elástico, pode prender em partes do equipamento, interior da viatura, vegetação ou estruturas independentemente se o armamento está coldreado ou na mão do operador.
Lembrando que o fiel não serve como ferramenta de retenção ou contra-retenção do seu equipamento. Se você o utiliza com esse propósito, basta parar um pouco para refletir: ele não impede que um terceiro tome o armamento das suas mãos ou o retire do seu coldre. O fiel apenas evita que seu equipamento seja perdido em situações específicas, e nem mesmo impede completamente que ele caia.
A verdadeira retenção da arma de fogo só é alcançada de duas maneiras: com um bom coldre e com treinamento específico, baseado e inspirado em técnicas de artes marciais — como o próprio jiu-jitsu — utilizando, acima de tudo, o conhecimento sobre biomecânica corporal, e no Brasil temos algumas grandes referencias sobre esse assunto, e como maior de todas o Felipe rodrigues mais conhecido como Felipe Samurai (Bushi Strategy).
Contudo, para tropas que operam com motocicletas, cavalaria ou aeronaves, os benefícios do fiel retrátil ainda superam os pontos negativos. Nestes cenários, o risco de perder a arma durante uma queda ou uma extração rápida é considerado operacionalmente inaceitável. Assim, enquanto em ambientes urbanos controlados ou de combate em recintos fechados (CQB) o fiel pode ser dispensável ou até prejudicial, em operações de alto risco de perda ele permanece como um Equipamento de Proteção Individual (EPI) essencial.
Em conclusão, o fiel retrátil não se tornou obsoleto, mas sim um equipamento especializado. Ele foi adaptado para cenários onde a preservação do armamento é a prioridade máxima, superando eventuais limitações táticas. A evolução dos coldres modernos não eliminou o fiel, mas redefiniu seu papel: de um sistema de retenção primário e quase que obrigatório, ele passou a ser uma segurança redundante e situacional, atuando como uma linha de defesa para situações especiais.
